08-09-2018 Sociedade, Educação, Lusa Lusa / Notícias Imprimir PDF     Print    Print

Geologia ajuda a explicar mudanças associadas ao aquecimento da Terra

Penela, Coimbra, 08 set (Lusa) – Os registos geológicos das mudanças ocorridas na Terra há 182 milhões de anos ajudam a compreender a evolução da natureza associada ao aquecimento global contemporâneo, foi hoje afirmado por investigadores em Penela.

Uma equipa da Universidade de Coimbra (UC), liderada pelo professor Luís Vítor Duarte, promoveu de manhã uma saída de campo, nos concelhos de Penela e Condeixa-a-Nova, integrada num programa científico em que especialistas de vários países debatem, desde quinta-feira, o tema do “evento anóxico oceânico” do Toarciano.

No leito de uma ribeira, a escassos quilómetros das ruínas romanas do Rabaçal, 39 investigadores, docentes e outros profissionais da área da geologia observaram estratos de calcário e discutiram, entre diversas alterações ocorridas no planeta naquele período do Jurássico Inferior, a extinção dos braquiópodes, grupo de animais marinhos bivalves cujos fósseis estão presentes no local.

“Há fósseis de invertebrados marinhos em todas as camadas. Os nossos cortes são dos melhores em termos internacionais têm esses registos bioquímicos e paleontológicos”, disse Luís Vítor Duarte à agência Lusa.

Em Penela, distrito de Coimbra, existem vestígios da extinção em massa associada à ausência de oxigénio nos fundos do mar – o designado “evento anóxico oceânico”, cujo reconhecimento à escala global coube ao cientista Hugh Jenkyns, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que integrou os trabalhos do segundo Workshop Internacional sobre o Evento Anóxico Oceânico do Toarciano, que termina no domingo.

Em Penela, como em Peniche, no distrito de Leiria, “temos bons exemplos para entendermos como é que funciona a natureza”, designadamente as mudanças em curso e futuras da Terra associadas ao aquecimento global, salientou Luís Vítor Duarte.

“Mas o é certo é que estamos a mudar a natureza”, sendo o dióxido de carbono “a maior variável” do efeito de estufa, devido sobretudo ao aumento da poluição atmosférica causada pelo uso de combustíveis fósseis na indústria e nos transportes, adiantou.

O professor associado do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra alertou, no entanto, que o atual processo das alterações climáticas está a ocorrer a uma velocidade “muito superior” à de outros eventos da história da Terra que, ao longo de milhões de anos, provocaram “grandes mudanças paleoambientais” nos subsistemas oceano, biosfera e atmosfera.

“Uma camada de 30 centímetros pode ter demorado 10 mil anos a formar-se”, exemplificou, apontando para os estratos de calcário, nas margens da ribeira, que está seca nesta época do ano.

Há 182 milhões de anos, os braquiópodes “viviam agarrados no fundo do mar”, onde, sem poderem migrar em busca de melhores condições de vida, morreram e ficaram fossilizados para sempre, na sequência de uma “pequena extinção em massa” devido à ausência de oxigénio.

Este episódio “está particularmente bem registado nas rochas carbonatadas daquela idade” que afloram na região Centro, em Peniche e Penela.

Cláudia Paiva Silva, que trabalha na empresa Partex Oil and Gas Corporation, propriedade da Fundação Calouste Gulbenkian, integrou o encontro internacional de quatro dias, em Coimbra, sobre o “evento anóxico oceânico”, tendo participado na saída de campo no maciço de calcário da Serra de Sicó.

“Procuro um conhecimento geral” destas matérias, designadamente na observação dos “níveis de matéria orgânica, com interesse ou não no campo petrolífero”, declarou a jovem geóloga à Lusa.

Na sua opinião, “tem de haver mais comunicação sobre Ciências da Terra”, em Portugal e no mundo, defendeu.

Em Peniche, onde os cientistas estiveram na sexta-feira, “neste intervalo da histórica da Terra, está uma das melhores e das mais completas secções geológicas”, realçou.

A partir dos seus trabalhos naquela cidade, o investigador francês Eric Font, docente na Universidade de Coimbra, tem-se destacado a defender que a extinção dos dinossauros, marcando o fim do Cretáceo, há 65,5 milhões de anos, se deveu ao acréscimo dos níveis de mercúrio na face do planeta, devido a erupções vulcânicas.

 

 

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Lusa/Fim

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