31-07-2019 Imprimir PDF     Print    Print

Termas caldenses referidas em ciclo de conversas em Torres Vedras

Jorge Mangorrinha foi convidado do ciclo de conversas Chás de Pedra, organizado pela Câmara Municipal de Torres Vedras. Esta intervenção foi intitulada “Têm tudo para dar certo. As termas dos Cucos e do Vimeiro no contexto do termalismo português” e realizou-se a 12 de julho, na Azenha de Santa Cruz.

O especialista caldense, Jorge Mangorrinha, a vereadora de Torres Vedras, Ana Umbelino, e a técnica da Câmara de Torres, Teresa Corça
A proximidade ao Hospital Termal das Caldas da Rainha também foi abordada pelo orador e pelo público.
O especialista caldense apresentou dados históricos, iconográficos e perspetivas de futuro para as termas do concelho de Torres Vedras, atualmente sem actividade.
Começou por referir que “estas nascentes têm um passado longínquo, uma história e um património notável, no contexto das termas portuguesas, e um potencial enorme, pela sua localização e pela qualidade das suas águas, embora actualmente seja difícil a captação de avultados investimentos, sobretudo se os mesmos não tiverem uma perspetiva integrada para além das águas”.
Com um auditório cheio e uma plateia atenta, Jorge Mangorrinha apresentou imagens e desenhos antigos e fez uma comparação com outras termas, designadamente com o Hospital Termal das Caldas da Rainha. Referiu que, “tal como o cluster Cucos-Vimeiro, que tem tudo para que o investimento dê certo, também as Caldas podem beneficiar da localização geográfica e de um activo económico e cultural da cidade, embora desconfie de algumas opções”.
Esteve presente a vereadora da Cultura de Torres Vedras, Ana Umbelino, que apresentou e saudou o convidado, lembrando a parceria que fizeram, em 2011, para a realização de uma exposição sobre o turismo em Torres Vedras, uma das mais visitadas no contexto do Centenário do Turismo em Portugal, ao qual Jorge Mangorrinha presidiu, referindo este que “a cultura em Torres Vedras está bem entregue e recomenda-se”. Daí considerar que estes dois pólos termais, estando preservados nas suas estruturas originais, sobretudo os Cucos, devem ter a cultura patrimonial como suporte das intervenções futuras”, concluiu.

Termas dos Cucos e do Vimeiro

A história da utilização regular das águas e lamas dos Cucos remonta a 1746, quando o cirurgião do partido da Câmara de Torres Vedras, Máximo Moniz de Carvalho, as "pôs em uso na medicina".
Julga-se que este cirurgião tenha sido o primeiro médico a prescrever estas águas e lamas medicinais, mas o seu uso espontâneo deve remontar a uma época muito anterior, pelos vestígios encontrados, nomeadamente uma antiga povoação romana junto às edificações da Quinta da Machêa.
No ano em que o país legisla pela primeira vez a exploração das águas “mineromedicinais”, as termas dos Cucos recebem um plano de urbanização concebido pelo condutor de obras públicas António Jorge Freire, investido pelo seu proprietário, José Gonçalves Dias Neiva, que apenas visava, inicialmente, o melhor e racional aproveitamento das águas e oferecer mais comodidade aos utentes.
Contudo, a descoberta de uma nascente com fértil caudal leva-o a empreender a construção de um “estabelecimento de primeira ordem”, dotado com todos os requisitos terapêuticos modernos, o que corresponde a uma nova ambição associada a inverter o estado de crise económica da região, devido à destruição recente dos vinhos pela filoxera. É esse conjunto que chegou até ao presente.
As Termas do Vimeiro não tiveram condições adequadas até que, em 1945, é concedida a transmissão do alvará de exploração para Joaquim Belchior. Vislumbrava-se um futuro risonho, dado o empenho manifestado pelo seu proprietário para conferir um outro dinamismo à exploração deste aquífero.
Dá-se o arranque definitivo para a construção de uma oficina de engarrafamento e de um balneário (Santa Isabel), à altura das potencialidades destas águas e do local, projectando a construção de uma estância termal mais digna para os seus assíduos e futuros frequentadores.
Um conjunto de duas casas destinadas a balneário e a oficina de engarrafamento são construídos durante o ano de 1945, permitindo a abertura da época balnear durante o ano seguinte, sendo o edifício balnear ampliado em 1948 e 1949. Mas seria a nascente dos Olhos de Água, também conhecida por Fonte dos Frades, que mereceu maior ambição.
Um plano de captação é executado, em 1951, defronte das instalações de Santa Isabel, e avançou-se para a construção de uma buvette e de uma piscina (14x7), obras inauguradas em 1954 e, dois anos depois, para a abertura de uma outra piscina, alimentada com água corrente a cerca de 26 graus.
Um outro plano de captação conduz às obras de instalação de um pólo de tratamentos mais moderno, durante os anos de 1955 e 1956. A estância ficaria a possuir duas áreas distintas de equipamentos, com destaque para o complexo de piscinas que atrairia, não só os doentes necessitados da cura hidrológica, mas também muitos veraneantes.
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