04-09-2019 Marlene Sousa e Mariana Martinho Imprimir PDF     Print    Print

Balanço da época balnear

Mau tempo marcou julho e agosto nas praias da região

A s praias em Portugal não se resumem ao Alentejo ou ao Algarve. Na região Oeste não faltam praias com bandeira azul e cheias de iodo, numa costa que tem conquistado cada vez mais adeptos. A Época Balnear 2019, que decorre até 15 de setembro, este ano marcou-se pelo mau tempo. Houve poucos dias de Sol e quentes. Isso afetou a afluência das pessoas e turistas às praias da região Oeste.

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João Nunes e Pedro Serrano são dois dos oito nadadores salvadores, que se dividem entre o mar e a lagoa da praia da Foz do Arelho
Apesar do verão se ter iniciado a 21 de junho, as temperaturas nesta região estiveram mais baixas do que o habitual nesta altura do ano. Este verão foram mais dias de nuvens e vento nas praias desta região, em junho, julho e agosto. Parece que o calor está a chegar em setembro, com a previsão de temperaturas mais altas para esta zona.

Quase no final da época balnear, que termina a 15 de setembro, o JORNAL DAS CALDAS, falou com o Paulo Gomes Agostinho, capitão do Porto da Nazaré e com o capitão-tenente Vasco Toledo Cristo no comando da capitania de Peniche. Os dois responsáveis, fizeram um balançou positivo da atuação nas praias vigiadas.
Paulo Gomes Agostinho, que superintende a área que vai desde Salir do Porto, nas Caldas da Rainha, a Pedrógão em Leiria, fez um balanço muito positivo da época balnear. “Apesar de ter tido algumas ocorrências, tive zero vítimas, o que é muito bom”, disse o capitão do Porto da Nazaré. “Os planos de vigilância são exatamente iguais aos do ano passado e também em 2018, tivemos bons resultados com zero vítimas, o que considero muito positivo”, salientou.
O responsável pela capitania de Peniche, considera que quanto mais equipamento e meios humanos tiverem, “melhor”, para a vigilância das praias, no entanto sublinha que o que é fundamental é “a articulação e otimização dos meios disponíveis”. “Até podemos ter mil salvadores nadadores na praia, que vai haver sempre ocorrências, portanto tem que haver uma boa coordenação dos meios”.
A praia de São Martinho do Porto tem 11 nadadores salvadores em permanência e a de Nazaré, tem 17.

Já o capitão-tenente Vasco Toledo Cristo no comando da capitania de Peniche, que abrange a área costeira entre a Pirâmide do Bouro - Caldas da Rainha e a Foz do Rio Sizandro – Torres Vedras, incluindo a Lagoa de Óbidos e o arquipélago das Berlengas, disse ao JORNAL DAS CALDAS que “até ao momento não houve registo de mortes na praia como consequência de afogamento”. “A situação mais grave foi de uma cidadã alemã numa zona não vigiada na Lagoa de Óbidos, que foi evacuada em estado grave”, revelou o capitão-tenente.
Vasco Toledo Cristo, frisou que o balanço “só será feito no fim da época balnear, a 15 de setembro”, adiantando já que “relativamente à coordenação considera que “é exemplar, considerando que todas as entidades têm muitas áreas de atuação além das praias”.
Operam diariamente na área de jurisdição da Capitania do Porto de Peniche, contratados pelos Municípios e concessionários, cerca de 70 Nadadores-Salvadores.
Os meios humanos e os equipamentos necessários para assistência aos banhistas, estão previstos no artigo 30.º da Lei n.º 68/2014, de 29 de agosto, que determina o dispositivo de vigilância e socorro adequado para as praias concessionadas. “Cabe à Autoridade Marítima Nacional, assegurar que a legislação é devidamente cumprida”, apontou o responsável pela capitania de Peniche.
Segundo Vasco Toledo Cristo, existem nadadores-salvadores com “certificação válida em número suficiente para as necessidades nacionais”. Contudo, “cabe aos concessionários ou aos Municípios, contratá-los para assegurar a assistência nas praias com vigilância”, adiantou.
Para o capitão-tenente, o investimento em recursos para vigilância das praias, seja de que entidade for, é sempre “bem-vindo”. “Mas é muito importante que a coordenação dos meios continue a funcionar”, salientou..

Foz do Arelho

A chegada tardia do verão e a instabilidade climatérica provocou uma quebra acentuada na afluência das pessoas às praias da Foz do Arelho. “Este ano, o tempo não ajudou muito. Tínhamos um dia bom e três maus, o que acabou por não ser favorável”, sublinhou João Nunes, que é um dos oito nadadores salvadores, que se dividem entre o mar e a lagoa na praia da Foz do Arelho.
A trabalhar nesta concessão há dois anos sublinhou que “os meses de junho e julho foram péssimos, e o agosto também não fica atrás. Nem as pessoas, nem o clima apareceram na praia”, o que acabou por influenciar o negócio de aluguer das barracas, bem como a restauração, em que “os concessionários queixaram-se imenso de não ter ninguém na praia, visto que tem de ser garantido todas as condições de segurança e vigilância da lagoa, mesmo na altura em que têm poucos banhistas”.
Apesar do tempo “completamente atípico”, o salva-vidas acredita que setembro vai ser um mês quente, considerando que o pico de verão, que era de 15 de julho a 15 de agosto, está a atrasar cada vez mais. “Infelizmente nos finais de setembro e outubro, não há vigilância balnear nessa praia”, apontou. Quanto ao comportamento dos banhistas, afirmou que conseguiram incorporar as regras para que “tudo corre-se bem”. Apesar de ter havido “um outro caso de afogamento junto ao cais”, João Nunes revelou que não houve nenhuma situação grave. Contudo, salientou que existem sempre aqueles banhistas, que “continuam a não respeitar as nossas indicações e a tomar banho em zonas menos adequadas”.
O salva-vidas também se queixou da falta de apoios e de meios, que são disponibilizados durante a época balnear. “Tal como no passado ano, temos apenas uma moto quatro, equipamento esse, que foi adquirido pela Associação Oeste Rescue, com o apoio da Câmara das Caldas para percorrer todo o areal”, referiu João Nunes, adiantando que “isso por vezes dificulta o nosso trabalho”. Além disso, referiu que este cargo é “cada vez mais uma responsabilidade muito grande para nós, face ao apoio e ajuda que temos da capitania e dos meios de proteção civil”.
Segundo o salva-vidas, “em caso de salvamento, a ajuda por vezes demora a chegar e temos de ser nós a intervir com o pouco que temos”. Como tal, considerou que deveria de haver mais investimento em materiais e equipamentos, como por exemplo “mais uma moto quatro”.
Nazaré

Como a Nazaré é visitada anualmente por muitos milhares de turistas e o afluxo no inverno é cada vez maior, a praia é vigiada durante todo o ano. Mas comparativamente ao ano passado, “o verão este ano foi péssimo, quer em termos de banhistas, quer em temperaturas”, salientou Pedro Libânio, um dos 18 nadadores-salvadores, que asseguram a vigilância durante a época balnear na Praia da Nazaré, e Praia do Norte.
O problema deste verão é que não houve uma homogeneidade. “Tivemos junho e julho muito fraquinhos, com dias muito ventosos e enublados, o que contribui para afastar as pessoas da praia”, contou.
A partir do mês de agosto a “coisa melhorou”, pode-se dizer que “tivemos quinze dias muitos fortes com muito bom tempo”, mas infelizmente “não foi o suficiente para termos uma praia cheia, como acontecia há dois anos atrás”. Para o responsável, o pico de verão está a mudar, pois “o único dia que senti aquele calor típico de um dia de verão foi em maio, nem sequer era altura de época balnear”.
Segundo o salva vidas, as expectativas são que setembro, seja um mês alto e com bom tempo para os banhistas aproveitarem a praia.
Quanto ao comportamento dos banhistas, Pedro Libânio alegou que estão “mais responsáveis aceitando as nossas indicações”, mas também “nós apostarmos muito na prevenção e tentamos para que nada aconteça”. No que respeito aos incidentes na praia, o salva-vida indicou que “felizmente não houve nada de grave”, apesar de continuar a haver banhistas que “não tem a noção, o que é o mar da Nazaré e arriscam muito”.
Nesse sentido, Pedro Libânio considerou que “enquanto nadadores-salvadores, que asseguraram, de forma contínua, a vigilância da Praia da Nazaré e da Praia do Norte, deveríamos ter mais meios terrestres, nomeadamente, mais uma moto quatro”, o que “nos iria ajudar muito”. 
São Martinho ?do Porto

Onze nadadores salvadores garantem, esta época balnear, a segurança dos banhistas que frequentam a praia de bandeira azul – São Martinho do Porto. Este ano, disse, que o verão ficou marcado pelo “mau tempo”. “A metrologia este ano não favoreceu a ida à praia, houve mais dias com nuvens, nevoeiro e vento e muito poucos dias que se possa dizer que esteve mesmo bom tempo”, disse, André Costa, nadador salvador há 4 anos na praia de São Martinho do Porto.
A nível de ocorrências, “foi positivo e tranquilo”, disse o salva vidas, que é coordenador, revelando que o mais grave foi o banhista que “sofreu queimaduras por causa da caravela”.
Tiveram também uma banhista de nacionalidade francesa, que enquanto estava na água entrou em paragem cardiorrespiratória, ficando inconsciente. “Foi retirada por outros banhistas que estavam lá perto e que se aperceberam da situação, e chamaram o nadador salvador que iniciou de imediato as manobras de suporte básico de vida conseguindo reverter a situação. “A senhora saiu para a ambulância já consciente”, referiu,
Segundo o nadador salvador, a Praia de São Martinho teve menos banhistas que o ano passado. Apesar do mau tempo, as pessoas vinham para a praia e “abrigavam-se nas barracas ou com corta ventos”, apontou, acrescentando que, tiveram muitos turistas que quando havia nevoeiro perguntaram se ia abrir. “É uma zona imprevisível”, salientou.
André Costa considera que os nadadores salvadores deveriam ter um melhor ordenado porque “fazemos dez horas por dia com uma folga por semana (60 horas semanais), uma hora de almoço sem mais pausas, temos que estar sempre a olhar para o mar, é uma responsabilidade muito grande e deveria ser visto como uma profissão de risco”.
Além do mar, este responsável diz que é preciso também ajudar em outras situações, como por exemplo nesta “praia é mais frequente haver crianças perdidas e picadas de peixe-aranha”.
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