18-09-2019 Francisco Gomes Imprimir PDF     Print    Print

Hugo Oliveira

“Preocupa-me que para governar o PS ouse fazer uma nova geringonça com partidos radicais”

O PSD das Caldas da Rainha desta vez não tem razões de queixa no que diz respeito à lista de candidatos a deputados na Assembleia da República. Hugo Oliveira aparece em nº2 na lista pelo círculo eleitoral de Leiria. O vice-presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, de 44 anos, licenciado em direito, revela que se for eleito, como tudo indica, pretende ficar como vereador apenas com três pelouros. O autarca, que é pai de uma bebé de 14 meses, desempenha ainda as funções de vice-presidente da direção da Associação de Termas de Portugal, vice-presidente da European Historic Thermal Towns Association e secretário-geral da Confederação Nacional das Associações de Família.

Hugo Oliveira está em nº2 na lista do PSD pelo círculo eleitoral de Leiria e diz estar pronto para arregaçar as mangas e trabalhar em prol do distrito e das Caldas na Assembleia da República

JORNAL DAS CALDAS - Como encara este novo desafio?

 

HUGO OLIVEIRA - Encaro como uma nova etapa mas com a mesma responsabilidade e energia que tenho tido na  minha vida autárquica. Julgo que tenho dado provas de dinamismo e de perseverança na minha vida pública.

Assumo publicamente o compromisso de estar disponível para representar os eleitores do distrito de Leiria, quero estar próximo dos eleitores e já dei provas que sou assim.

Sou social democrata e coloco as pessoas na primeira linha da minha defesa e acredito num modelo de sociedade solidário e que dá assistência aos mais necessitados mas que se baseia numa economia que é alavancada pelas empresas.

 

JC- Porquê agora?

 

HO - Primeiro porque o partido entendeu que eu seria uma mais valia para o desempenho da função de deputado no distrito de Leiria. Por outro lado, confesso que, fruto também da minha experiência autárquica, sinto hoje uma maturidade que me permite assumir este desafio com vontade de fazer mais e melhor.

 

JC - Como vê a política nos dias de hoje?

 

HO - A sociedade mudou e as expectativas também, pelo que tenho a plena convicção de que tenho a obrigação de entender os novos sinais dos tempos mas ao mesmo tempo não perder de vista os valores da sociedade como a família, a solidariedade e a tolerância.

Vejo a política como uma função nobre e que deve ser respeitada, defendo os círculos uninominais que aproximam e responsabilizam mais os deputados junto dos seus eleitores.

Um eleitor deve saber exactamente o deputado que o está a representar e pedir “contas” ao mesmo.

O bem estar social e a felicidade devem estar na primeira linha do nosso pensamento, devemos saber aliar estes às nossas convicções ideológicas.

Hoje em dia acredito muito na necessidade de medir os índices de felicidade.

 

JC - Que matérias vai defender no parlamento se for eleito? Quais as grandes linhas do programa do PSD no distrito de Leiria?

 

HO - Defender os eleitores do distrito de Leiria e em particular os caldenses.

Existem problemas que são crónicos e que devemos defender até à sua resolução, mas não podemos estar “agarrados” somente a matérias ideológicas, temos de saber interpretar as causas que preocupam e movem a comunidade e ter resposta para elas.

Por exemplo, a Barragem de Alvorninha é uma daquelas matérias que um deputado deve acompanhar e lutar, assim como os problemas antigos da Lagoa de Óbidos e da Linha do Oeste. Mas também a preocupação de ultrapassar obstáculos que se colocam ao nível da legislação em vigor e que são verdadeiros entraves ao crescimento das empresas e por conseguinte ao desenvolvimento económico. Ou o acompanhamento constante sobre o futuro do Centro Hospitalar do Oeste, onde há necessidades de investimentos superiores a 30 milhões de euros.

Temos de ter uma visão de futuro e perceber o que nos rodeia, faz mais sentido refletir se devemos ou não alterar o calendário escolar, pelo facto de as alterações climáticas arrastarem nos últimos anos o Verão para setembro e outubro, do que andar a fazer sessões inadequadas sobre a igualdade de género ou insistir em novas utilizações das casas de banho nas escolas. Há valores aqui claramente trocados, o que demonstra uma grave falta de respeito pela maioria dos portugueses e pelos seus verdadeiros problemas.

 O programa assenta em três grandes eixos: Criação de riqueza, qualidade de vida e ambiente. Posso destacar a proposta de passagem do Instituto Politécnico de Leiria a Universidade Politécnica, a proposta de valorização da duna de Salir do Porto como património ambiental, a proposta de valorização da Barragem de Alvorninha, a eletrificação da Linha do Oeste e a promoção da atratividade de Leiria no panorama internacional, apostando na inovação da indústria 4.0, entre outras.

 

JC - Qual a sua posição sobre a matéria das alterações climáticas?

 

HO -  O PSD foi o primeiro partido a colocar as matérias do ambiente na agenda política, há mais de 30 anos. Na altura os ambientalistas até eram “ridicularizados”, como o Carlos Pimenta e o Paulo Lemos. A história comprova que o PSD esteve sempre na primeira linha da defesa do ambiente.

Mas só agora se conseguiu despertar a consciência coletiva para as preocupações com a preservação do planeta, e mais do que estar em causa o planeta, o que está em causa é a espécie humana e a necessidade da sua preservação.

Temos de ser pró-ativos para garantir a sustentabilidade do planeta e para isso contam comigo.

 

JC - Sabendo que eleições legislativas são eleições centradas no candidato a primeiro- ministro e que os eleitores votam dessa forma, como se sente na pele de candidato?

 

HO -  De facto, essa é uma realidade mas as últimas eleições trouxeram um novo paradigma, porque quem ganhou as eleições foi o candidato do PSD e quem governou foi uma “geringonça”. Um candidato localmente pode congregar à sua volta uma pequena percentagem de apoio mas continua a ser a disputa nacional o foco das eleições, daí que como já afirmei defenda os círculos uninominais.

 

JC - Recentemente na apresentação do programa eleitoral atacou o cabeça de lista do PS pelo distrito de Leiria, quer explicar porquê?

 

HO - Não gostei de ver um aproveitamento de campanha num jantar de homenagem ao mesmo. Não faz sentido. Se não renunciou à Câmara e se apenas suspendeu, voltando depois de dia 6 de outubro até à tomada de posse, soa a campanha e devo deixar bem claro que é uma vergonha. Por outro lado, referi ainda que gostava de o ver a lutar pela Linha do Oeste, até porque é daquelas matérias que a par da abertura à aviação civil da base aérea de Monte Real que devem ser suprapartidárias.

 

JC- Como vê as sondagens que são conhecidas? Assusta-o o facto de o PS ter quase maioria absoluta?

 

HO -  As sondagens não ganham eleições, são os votos. Estas deviam servir como barómetro das intenções de voto e hoje em dia estão transformadas em “arma” de marketing político. Acredito nos eleitores do distrito de Leiria e em geral nos portugueses e espero que tenham a consciência plena da importância do seu voto nestas eleições.

Acredito que o PSD vai ganhar as eleições, mas se assim não acontecer preocupa-me que para governar o PS ouse fazer uma nova geringonça com partidos radicais como o PAN pelas consequências que poderiam daí advir para a sociedade portuguesa. Ou se houver uma maioria de dois terços de “esquerda” que permita alterar a constituição a seu belo prazer fazendo-nos regredir aos tempos do “PREC”.

 

JC - Vai manter-se como vereador?

 

HO – Sim, não abandonarei a Câmara nem os caldenses, pretendo ficar como vereador apenas com três pelouros, mas com o mesmo empenho de sempre e com a vantagem, que julgo ser uma mais valia, de estar mais perto do poder central e poder lutar pelos interesses também dos caldenses e com um conhecimento de facto dos problemas e de tentar encontrar soluções.

  

JC - Vai manter-se nos outros cargos que desempenha?

 

HO - Enquanto assim entenderem que possa ser uma mais valia para estas instituições e para Caldas da Rainha, sim, porque julgo ser crucial para continuar a projectar a marca Termas das Caldas, com base no Hospital Termal.

Se for eleito tentarei nas novas funções ser útil também ao setor termal na vertente de saúde e de bem estar.

Tendo Caldas da Rainha uma relação tão forte com a saúde e o termalismo, conto no parlamento reforçar a minha intervenção nesta área tão importante para o concelho.

 

JC - Vai abandonar o sonho de se candidatar a presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha?

 

HO - Tenho orgulho em pertencer a uma equipa liderada pelo dr. Tinta Ferreira, que é um excelente presidente de Câmara Municipal e deve candidatar-se novamente nas próximas eleições autárquicas. Depois logo veremos, estou sempre disponível para trabalhar pelas Caldas da Rainha.

 

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